Extração de umbu deixa de gerar renda na Região de Guanambi

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A extração de umbu tem deixado de gerar renda na Microrregião de Guanambi, segundo os dados da Pesquisa de Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura 2018 (PEVS 2018), divulgada na última quinta-feira (19), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Segundo os dados, a produção extrativista do umbu era de 742 toneladas em 1990 e vem caindo ao longo dos anos, chegando a apenas 36 toneladas em 2018, somados os 18 municípios da Microrregião.

Fonte: Pesquisa de Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura 2018 – IBGE
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Em Guanambi, a atividade de extração de umbu praticamente não existe mais. O município chegou a extrair 370 toneladas do fruto em 1986. Nos anos seguintes, a produção foi caindo e chegou a apenas uma tonelada em 2018.

Produção de Umbu por município da Microrregião de Guanambi
O professor do Instituto Federal Baiano – Campus Guanambi, Alessandro Arantes, falou à reportagem da Agência Sertão sobre as possíveis causas da retração na produção. Ele associou o desmatamento à escassez do fruto na região. “O desmatamento para produção de algodão e de pastagens e a produção de carvão são as principais causas da diminuição da densidade de planta na Caatinga. Essa redução foi geral tanto no Vale do Iuiú quanto na região de Guanambi, tanto para o umbuzeiro quanto para o licuri”, comentou.

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O professor disse que outras regiões foram tomadas atitudes diferentes para a preservação da espécie, sitando o exemplo da região de Brumado. “Lá o modelo de exploração foi diferente, porque as pessoas preservaram as árvores. Na região de Guanambi, o pequeno produtor adotou o mesmo modelo de exploração adotado no Vale do Iuiú. Aconteceu um extermínio das plantas, uma diminuição da densidade e por conta disso a diminuição da extração e da comercialização do fruto”, pontou.

Segundo os dados da PEVS 2018, os municípios das microrregião de Brumado e Livramento do Brumado extraíram juntos 1292 toneladas do fruto em 2018.

Segundo Arantes, o IF Baiano mantem um banco de germoplasma, construído em parceria com a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) e com a Embrapa Fruticultura e Mandioca. “O banco tem o objetivo principal de não permitir a erosão genética do material. Em um banco como esse estão conservados as melhores plantas e os melhores clones que foram objeto da prospecção e multiplicação dos órgãos de pesquisa como a Epamig e a Embrapa”.

O professor ressalta que o banco possui 36 clones de diferentes variações de umbu e umbu-cajá disponíveis na natureza, coletados em municípios da Bahia, Minas Gerais e Pernambuco.

A instituição no entanto ainda não possui um projeto de produção de mudas, mas pode vir a fornecer no futuro o material genético para que produtores possam reproduzir. “O banco tem condições de ajudar no processo preservando o material. Precisava então de um projeto para a produção de mudas, o que não é objetivo específico do banco. O banco preserva o material e pode no futuro, ceder este material para produtores de mudas registrados fazerem a reprodução”, explica.

Arantes ressaltou que ainda não há uma previsão para a disponibilização do material, pois esse procedimento depende de autorização do Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (CGEN), órgão do Ministério do Meio Ambiente, já que diz respeito à biodiversidade brasileira.

A Bahia é estado líder na extração de umbu da natureza. Todos os municípios juntos somaram a produção de 5.752 toneladas em 2018. Minas Gerais aparece na segunda colocação com 768 toneladas e Pernambuco em terceiro com 396 toneladas.

O IBGE estima que a atividade movimento cerca de R$ 5,7 milhões em todo o Estado em 2018.

O município de Mirante foi o líder da extração, com 465 toneladas coletas. Manoel Vitorino apareceu na segunda colocação com 350 toneladas e Brumado em terceiro com 298 toneladas coletadas do fruto.

A falta do produto extraído diretamente da natureza tem criado a demanda para o cultivo da planta. No entanto, o preparo das mudas e o desenvolvimento das plantas exigem técnica aprimorada para quebrar a dormência das sementes.

No último sábado (19), foi realizado o I Dia de Campo sobre Umbu Gigante no município de Anagé. O evento contou com palestras e estandes abordando a tecnologia de produção e perspectivas do mercado de umbu.

Os projetos como os desenvolvidos pela Embrapa, Epamig e IF Baiano, como os bancos de germoplasma, têm facilitado facilitado o processo de escolha das sementes para cada finalidade de cultivo.

A seleção dos diversos tipos de umbu permite conhecer quais plantas são mais produtivas e quais tipos de fruto plantar para cada finalidade – consumo in natura, obtenção de polpa, ou até mesmo ornamentação, como o caso do umbu de cacho.

Um quilo de umbu pode custar até R$ 6 para o produtor. Em Vitória da Conquista, a saca de 25 Kg chegou a ser comercializada por até R$ 150,00 na última safra.

Extração de umbu deixa de gerar renda na Região de Guanambi

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